Prezados Senhores,
Apresento a todos, Dr. Tiago Freitas, Neurocirurgião de Brasília, que gentilmente nos concedeu uma excelente entrevista sobre a Neuralgia Trigeminal.
Boa leitura!
Eliana Curcio
Drº Tiago Freitas, Neurocirurgião
Especialista
no tratamento de dor CRÔNICA, distúrbios do movimento, epilepsia e cirurgia
psiquiátrica, Dr. Tiago Freitas fez residência de Neurocirurgia em Hospital de
Base de Brasília – DF, especialização no tratamento de dor CRÔNICA no Hospital
das Clínicas de São Paulo (USP) e posteriormente, já em 2006, fez
especialização no tratamento de dor CRÔNICA, distúrbios do movimento e
epilepsia em Cleveland Clinic Foundation, Center of Neurological Restauration,
Ohio, Estados Unidos.
Após retornar ao Brasil, iniciou
suas atividades no sistema público no Hospital Universitário de Brasília (HUB)
e posteriormente no Hospital de Base (DF) e em clínicas privadas como a SOS
Neurológico (Hospital Santa Lúcia) e Neurocentro (Centro Clínico Sudoeste).
Atualmente é membro da Sociedade
Brasileira para Estudo da Dor (SBED), Sociedade Brasileira de Neurocirurgia
Funcional e Esterotática (SBENF) e Secretário da Sociedade Brasileira de
Neuromodulação (Capítulo Brasileiro da INS: International Neuromodulation
Society) e trabalha no Hospital Universitário de Brasília (HUB), Hospital de
Base do Distrito federal (HBDF), Hospital Santa Lúcia e outros hospitais de
rede privada de Brasília.
O Dr. Tiago nos conta que o termo Neuralgia
corresponde à “dor no trajeto de um nervo ou de seus ramos” e trata-se,
portanto, de uma Síndrome Dolorosa Crônica de natureza neuropática que acomete
o nervo trigêmeo. “Como o próprio nome diz, o nervo trigêmeo possui três ramos:
o oftálmico, mandibular e o maxilar, responsáveis pela inervação sensitiva da
face. De duração fugaz e às vezes contínua, intercaladas por períodos de
acalmia, a Neuralgia Trigeminal caracteriza-se clinicamente por crises de dor com
forte intensidade, lancinantes e geralmente descritas pelos pacientes como “fincada”,
facada, pontada, relâmpago e é extremamente limitante, impedindo que a pessoa
tenha domínio das atividades de vida diária e profissional”, conclui Drº Tiago.
Atividades rotineiras como comer,
barbear o rosto, sorrir, contato da face com vento pode desencadear a dor.
Normalmente a Neuralgia apresenta o acometimento unilateral, conhecida como
Neuralgia Trigeminal Clássica ou Essencial e mais raramente pode ser bilateral,
e cursa sem alterações de sensibilidade
objetiva ao exame física. Quando essa situação se faz presente, deve-se
suspeitar de causas secundárias que podem estar causando a dor, como tumores,
doenças desmielinizantes, etc.
Pessoas da Terceira Idade são as
mais acometidas pela doença, entretanto pode-se manifestar em pessoas mais
jovens e atualmente, com a melhoria de conhecimento, divulgação pelos meios de
comunicação e melhoria no processo de formação dos profissionais, a incidência
de acertos em diagnóstico tem aumentado. Ainda assim, existem muitas pessoas
sofrendo que perambulam por diferentes profissionais médicos e odontológos sem
ao menos saber que a causa da dor é a Neuralgia Trigeminal.
Atualmente acredita-se, assim como a
maioria das doenças, que a Neuralgia Trigeminal essencial ou primária seja
desencadeada por um conjunto de fatores genéticos e ambientais. Durante muitos
anos acreditou-se apenas na teoria mecânica de que a doença seria causada pela
compressão vascular do nervo por uma artéria intracraniana, teoria esta que
levou ao desenvolvimento da técnica de tratamento cirúrgico.
Estudos posteriores mostraram que,
na população em geral, há inúmeros de indivíduos que não apresentam neuralgia
trigeminal e que possuem exames de angiorressonância mostrando compressão do
nervo por um vaso sanguíneo, assim como há pacientes que apresentam a neuralgia
trigeminal e que não apresentam compressão do nervo por algum vaso.
Baseado nesses estudos verificou-se
que possivelmente exista uma alteração de funcionamento do nervo trigêmeo, que
também levaria ao desenvolvimento dos sintomas da dor. Mais
recentemente, alguns trabalhos mostram alterações denominadas “canalopatias”,
ou seja, mau funcionamento dos canais de íons da bainha do nervo trigêmeo, que
poderiam ser a cauda do mau funcionamento do nervo.
Para o Dr. Tiago, a técnica mais
eficiente de tratamento cirúrgico é a Microdescompressão, seguida pela técnica
percutânia por radiofrequência e pela técnica da compressão pelo balão:
“Entretanto inúmeros fatores devem ser considerados na escolha de uma técnica
ideal para cada paciente, e costumo dizer que as técnicas devem ser
personalizadas para cada um, de acordo com: idade, ramo acometido, estado
físico, etc”. , complementa.
Primeiramente
o paciente deve ser considerado intratável clinicamente, ou seja, não responder
ao tratamento com um ou mais medicamentos e/ou apresentou intolerância aos
mesmos. Após este diagnóstico geralmente os pacientes mais jovens e com melhor
condição clínica têm preferencialmente o tratamento direcionado para a
microdescompressão. Nos pacientes mais idosos e/ou com condição clínica mais
debilitada as técnicas percutâneas são as mais indicadas (radiofrequência e
balão).
Todas as técnicas devem ser
discutidas e expostas, com seus resultados, riscos e benefícios, aos pacientes,
que também devem opinar na escolha do melhor método. Outra consideração
importante é a experiência do cirurgião com cada um dos métodos, visando melhor
resultado e menores complicações.
Uma técnica que não é tão recente e
ainda pouco utilizada no Brasil consiste na Radio cirurgia (lesão do nervo por
radiação) e que apresenta ainda resultados inferiores aos métodos cirúrgicos já
consagrados.
Infelizmente,
todas as técnicas cirúrgicas apresentam riscos de complicação, assim como todos
os procedimentos cirúrgicos em geral.
Veja
na tabela abaixo os riscos:
Técnica de microcirurgia (descompressão
microvascular) | Risco de
óbito | de 0,2 a 2% |
Infecção | 3% |
Hematomas | 3% |
Vazamento de liquor | 3% |
técnica de radiofreqüência | Risco
de morte | <0,1% |
Anestesia dolorosa | 5% |
Ceratite de córnea | 8% |
Hipoestesia | 18% |
Na técnica de balão (micocompressão) | Mortalidade | <0,1% |
Anestesia dolorosa | <1% |
Ceratite | <1% |
Hipoestesia | <8% |
Atualmente,
segundo Drº Tiago, as técnicas cirúrgicas apresentam um alto índice de controle
completo da dor em longo prazo, sem uso de medicações, variando de 65% a 75%
dos pacientes submetidos à cirurgia. “Acredito que com o avanço do conhecimento
da doença e de seu funcionamento se desenvolvam terapias moleculares
específicas e que levarão à cura da doença”, conclui.
Para
aqueles que ainda conseguem controlar a dor através da medicação, as drogas
mais indicadas e que possuem evidência científica na literatura médica são: carbamazepina,
oxcarbazepina, fenitoína, gabapentina, baclofeno, etc.
Uma medicação relativamente nova
para o tratamento de dor neuropática é a Pré-Gabalina, um bloqueador dos canais
iônicos sete vezes mais potente que a gabapentina. Ele já vem sendo usado por
alguns neurologistas e neurocirurgiões no tratamento da neuralgia trigeminal,
entretanto grandes estudos ainda são necessários para afirmar sobre a sua real
atuação.
Existem estudos com uso de novas
medicações, como a Toxina Botulínica, injetada por técnica percutânea,
entretanto ainda não são conclusivos sobre a sua real eficácia.
Um último conselho:
Na
suspeita de Neuralgia Trigeminal, as pessoas devem procurar primordialmente por
neurologistas e/ou neurocirurgiões, de preferência em serviços de referência
universitária, pois são profissionais atualizados e com maios chance de
diagnóstico. Dê preferência a profissionais que trabalhem com dor.
Serviço:
Drº Tiago Freitas - Neurocirurgia Funcional
Neurocentro: (61) 3346-0023 e (61) 3346-0633
Sos Neurológico: (61) 3445-1840